*MPRJ denuncia por racismo seguranças que revistaram cabelo de mulher negra*
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada, denunciou por racismo dois vigilantes que submeteram uma mulher negra a uma revista vexatória, com insistência em revistar seu cabelo, na entrada do Estádio do Maracanã. De acordo com a denúncia, E. N. dos S e C. A.M extrapolaram os limites legais durante a abordagem e expuseram a vítima a uma situação constrangedora. O crime ocorreu no dia 22 de novembro de 2024, na entrada do estádio, pouco antes da partida entre Fluminense e Fortaleza. Ela e o marido acabaram impedidos de acessar o evento esportivo.
O MPRJ enumera circunstâncias que demonstram a ilicitude da conduta dos seguranças da empresa: direcionamento discriminatório da inspeção; ausência de justa causa para a revista pessoal invasiva; não disponibilização de ambiente reservado para a busca corporal e falta de supervisão policial.
A denúncia relata que, após ser submetida a busca pessoal, que incluiu toque nos seios e revista completa de todas as suas vestes, a vítima teve seu cabelo agarrado pela vigilante . A espectadora, então, deu um passo para trás e manifestou que não permitiria ser tocada nos cabelos. "A denunciada, no entanto, de modo invasivo e desrespeitoso, argumentando adotar procedimento padrão da empresa de vigilância, prosseguiu na ação ilícita, insistindo em revistar ela própria, manualmente, o cabelo da vítima", descreve a denúncia.
Ainda segundo a ação penal ajuizada, o marido da vítima interveio em defesa de sua esposa, discutindo com o supervisor. Aderindo à conduta racista, o supervisor determinou que suasubordinada prosseguisse com os atos discriminatórios, sob pena de barrar seu ingresso ao estádio. Mesmo após serem liberados e prosseguirem para a rampa de acesso, os denunciados abordaram o casal novamente e os conduziram ao posto policial, impedindo o acesso de ambos ao evento.
Além da responsabilização criminal dos envolvidos, o MPRJ requereu à Justiça a suspensão das atividades da empresa pelo prazo de três meses.
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